Caboclo

Outro dia pensei na morte,
mano, uns dois dias
Depois disso sai de casa por uns três dias
Quando voltei, não encontrei um Jeremias
Só o espelho e a Winchester 22.

Não houve duelo, não houveram tiros
Troca de olhares, muitos

Eu sou jovem demais pra morrer
E deixar tanta pergunta sem responder.

Bolsas de energia

A beleza da olheira é a beleza do trabalho
A ruína da mesma é o jogar-se no assoalho
Sem saber o porquê tudo que faço é falho
Não importa o que tente pra eu não ser falho

Achei que o dom de dormir viesse do berçário.

-R.C.

Onde?

Eu busco seus olhos nos céus,
busco teus sentimentos na lua
busco teus toques num cobertor
busco seus lábios em todo copo.

Eu te procuro nos lugares errados
Com medo de te achar.

-R.C.

Eufemismo

O sentimento tem maior dimensão
Ou só ria ou só chore
Sem sorriso, o caixão.

Amar é viver em hipérbole.

A volta do trabalho

Os homens se espalham
As mulheres ficam juntas
O celular como palha
A cada parada se desmonta

Cena pronta,
Vida falha.

-R.C.

Artes

Arte é um meio
De liberar energia vital
Quer esteja o copo cheio
Ou já no final

E não importa que máscara
Colocar nessa energia
É como chácra
Lá noite ou dia

Assume forma
De pintura
poema
Escultura

É quase desabafo
De bons e ruins
Sejam poucas e boas
Muitas sem fins

A arte
É trabalho
E o trabalho
Enobrece.

Correntes

Livre de amarras, raízes
Eu vou onde quero
Ainda preso nos teus dizeres
Me espere que te espero

Livre para pensar nestes ares
Democracia no ponto singelo
Mas penso em outros pares
Eu imitaria o grande Nero

Liberdade suficiente
Pra beijar qualquer um
Mas que tua boca me alimente

É meu desejo comum
És livre pra ser experiente
Quero que não tente nenhum.

-R.C.