Tudo são vontades

Vontades.
Não me trazem vantagens
São mistos de quero e adoro,
Só aumentam se demoro
Se satisfaço, comemoro
Mas sei que mesmo com tanto cansaço
Desse sentimento me desfaço
Vontade.
Ela cresce do nada,
se disfarça de saudade,
De falta, tédio, sede
E até se acaba
Faz favor de voltar
Quando está de volta,
Escurece o pensar.

Tudo são vontades.

-R.C.

Canto preenchido

E dormiu com lápis na mão
O menino que queria ser poeta
Mas em seus cadernos,
Folhas, comunicados escolares,
Outros livros ou na própria mesa
Desejava passar a escrever poesia
Ao invés da lírica realidade vivida.

Dormiu com lápis na mão
Na esperança de nos sonhos ser enfim um poeta,
E não mais só menino.