Nosso tempo

Foi incrível
Você, inacreditável,
Pois eu fiz tanto
Pra ser agradável
Que me foi espanto
Quando sem entretanto
Acabou.

-R.C

Minha água

Nunca foi bom chorar,
Mas de uns tempos pra cá
Acho que as lágrimas ficaram ácidas.
É como sentir fisicamente a podridão da minha alma.

-R.C.

Abraços fortes e longos

Olho fotos, formas
Foi há pouco
que fui abandonado
Poucos sabem
Quão pouco soube
Eu sobre ficar só.
Por isso,
Fui pra mais,
Mesmo não sabendo
Quais, intenções entendia
Como tíveis!
Trisemente,
Menos tempo ou mais
O sentimento não extendeu
Entende agora
O porquê teu enamorado
Espera traição?
Só espero trazer
Esperança nessa tentativa.
Só penso também
Quando se esvai
Como todas se esvaíram?

Shiu!

Tem silêncios diferentes
Há os ditos indiferentes
E os maledicentes
O último mente
Quanto ao que tem em mente
Silêncio que machuca,
A brasa que pega na nuca
Mas se joga com a mão.
Um espírito inquieto então
Assim segue enfim.
Os silêncios indiferentes
São os teus, de olhar e só
Ignorar até o pó
Por não lhe interessar.

Bilíngua

Tem umas páginas em branco no meu diário
E não são aquelas dos tempos do primário
São recentes e presentes
Coisas do ontem ressonante

As linhas em branco, mas o espaço preenchido
Se posso ser franco, é silêncio assumido
Pois sumido estou deste disurso
Sou a borda rabiscada pelo percurso
A fola não tem mais frase
E eu espero que seja uma fase
Eu espero apertar o unfreeze
I just want the suffering to seize.

R.C.

Caboclo

Outro dia pensei na morte,
mano, uns dois dias
Depois disso sai de casa por uns três dias
Quando voltei, não encontrei um Jeremias
Só o espelho e a Winchester 22.

Não houve duelo, não houveram tiros
Troca de olhares, muitos

Eu sou jovem demais pra morrer
E deixar tanta pergunta sem responder.

Bolsas de energia

A beleza da olheira é a beleza do trabalho
A ruína da mesma é o jogar-se no assoalho
Sem saber o porquê tudo que faço é falho
Não importa o que tente pra eu não ser falho

Achei que o dom de dormir viesse do berçário.

-R.C.