Armas não combinam com livros

Instinto
É distinto
De distintivo

A farda
Só é fardo
Deixa fadado

Nem fada
Confabula
É fábula.

A bula
Fica bolada
E burlada

A lei
Quer leitura
Ah lei dura

Só dura
Se durante
For de diamante

Só segue a diante
Quem lê antes
Que interessante

Interesse
Em internar
Faz exterminar

O externo
É eterno
Pros ermos

Todo ermo
Tem seu termo
Seu instinto

Sem distintivo
Com instando
Se distingue

Distinguido
E diferente
Pouca gente.

Exigências

Amor pagão
Na fogueira arde
Fui contra o cristão
E deixei de ser covarde
Fogo forte, dor eminente
Logo a sorte foi, de repente
Luto pra poder,
Meu último artifício
Pr’um dia te ver
Farei sacrifício.

Caixas e caixas…

Nesta caixa de cimento
Onde guardamos nossa rotina
E sacramos nossa retina
Vejo caixas e lamento

Sem caixas,
Aos poucos o que se encaixava
Vai embora o que durava
E encaixado coisas menos baixas.

É um quebra-cabeça
De vida toda
Desmontado em remessa
Todavia.

Protesto é inútil
Detesto ser fútil
O material apodrece
Mental só enriquece

Aos poucos encaixo minha vida
Como fosse material
Como fosse normal
Se desfazer da tida.

Dar adeus ou até logo
Pros meus, não me empolgo
Só Deus vai saber
Quanta falta vão fazer.

Mais do que da Sicília
Aquelas unidas famílias
A minha se mantém junto
Encaixando-se pr’outro mundo.

Uma releitura?

Se vivemos entre o tédio e a conquista
Vivo entre você aqui
E você indo…

Pareço, pra ti, poeta?

Pareço, pra ti, poeta, meu amor?
Andando pelas ruas descalço
Amando a ti por todo espaço?

Pareço poeta que fala da dor?
Ou nos meus odes não realço
As mazelas, pareço aço?

Pareço poeta ao falar
Da minha cidade
De como passei nela minha mocidade?

Lhe pareço poeta quando me declaro?
Ou lhe falta amparo
Emocional para despir
E sentir
Tudo aquilo que me tira o ar

Seria absurdo
Ou de acordo
Com normal
A sós em momento tal
Me declarar
Com intensidade
De quem amanhã estará morto?
Te tiraria o ar?

Cheguemos no finalmente
Parece até de repente
Mas te amo profundamente

Até quando

Quero te ver
Até minha menina ser um espelhos da suas

Te olhar
Até meus olhos serem pinturas suas

Te beijar
Até nossas bocas terem o mesmo sabor

Te abraçar
Até nossos corações sincronizarem

Só quero te amar
Até só haver amor no mundo

Ação e respiração

Quando respiro,
É do teu mundo o ar

Quando choro,
A lágrima vem do teu mar.

Quando vivo,
É com batidas do teu coração

Quando agressivo
É tua essa e toda emoção.

Quando penso,
É sobre ti que divago

Quando tenso,
No teu colo acho sossego.

Quando sempre
Minha porta aberta
Pra que você entre.