Feed my soul

Pensando bem…
Foi só sendo cético
Que vi que ninguém
Tem beleza eclética

É cada um por si.

-R.C.

Pareço, pra ti, poeta?

Pareço, pra ti, poeta, meu amor?
Andando pelas ruas descalço
Amando a ti por todo espaço?

Pareço poeta que fala da dor?
Ou nos meus odes não realço
As mazelas, pareço aço?

Pareço poeta ao falar
Da minha cidade
De como passei nela minha mocidade?

Lhe pareço poeta quando me declaro?
Ou lhe falta amparo
Emocional para despir
E sentir
Tudo aquilo que me tira o ar

Seria absurdo
Ou de acordo
Com normal
A sós em momento tal
Me declarar
Com intensidade
De quem amanhã estará morto?
Te tiraria o ar?

Cheguemos no finalmente
Parece até de repente
Mas te amo profundamente

Até quando

Quero te ver
Até minha menina ser um espelhos da suas

Te olhar
Até meus olhos serem pinturas suas

Te beijar
Até nossas bocas terem o mesmo sabor

Te abraçar
Até nossos corações sincronizarem

Só quero te amar
Até só haver amor no mundo

Dos momentos e momentâneos

Da minha vida sou eterno passageiro
Sem ter pontos finais
Um vai-vem nas pessoas,
Viajando por entre almas.

Nunca chegando cedo
Mas sim tarde demais
Outras vem cedo
As demais, muito tarde
Vou embora sempre.

Não tenho casa,
Não tenho a mim,
Só tenho a esperança
De que vou ter um fim.

(Mas nem minha morte viverei-
Ela não me pertence,)

-R.C.

Ficou louco

Tanto tempo em silêncio
Estou com medo da minha voz
Após anos a sós
Tenho medo de mim.
Hoje acordei assim
Apavorado para sair de casa
Sem ter desenvolvido asas
Como passarinho, me arremessam
Com ou sem espinhos não me interessam
O sol faz comigo
O que com as pedras faz
Sou nem inanimado ou antigo
Mas meu corpo aqui jaz
Sem mente,
Morro rápido
Somente
Corro, sólido
De mim. De tudo.
Sempre tem algo lá
Onde estou, o medo está
Pavor tenho, isso não mudará
Meu desempenho cai afinal
Me rendo à vida que vivi tão mal.

-R.C.

Ação e respiração

Quando respiro,
É do teu mundo o ar

Quando choro,
A lágrima vem do teu mar.

Quando vivo,
É com batidas do teu coração

Quando agressivo
É tua essa e toda emoção.

Quando penso,
É sobre ti que divago

Quando tenso,
No teu colo acho sossego.

Quando sempre
Minha porta aberta
Pra que você entre.

Mundo bom

Gritar felicidade
É um bom jeito
De livrar-se do peito

Peso tirado com facilidade
Aquele não demonstrado
Só escondido

Em meio aos sorrisos expressos
Uma mágoa ristretta
À atenção restrita

Seguindo meus passos
Entenderiam tão fácil,
Mas como se não sou dócil?

Olheiras como rojões
Não uso maquiagem
Desleixo como mensagem

Nada dá questões
Talvez porque o que importa
É que sorrindo o mundo me suporta
E ninguém suporta chorões.

-R.C.