Pedaço de paz

Faça desse mundo seu jardim
Cresça tantas fores
desenvolva teus valores
E depois de tudo, volte pra mim
Secas e torrenciais
São parte do processo
De deixar no solo impresso
Seus diferenciais
Da natureza os defensores
Fazem todo um carnaval
Faltam uns professores
Os falarem sobre o mal
Pois pra ela é irrelevante
Que esteja ou que não
Se é pra ti interessante
De vontades não passarão
Faça desse mundo seu jardim
Lembra dos frutos desse amor
Que podia ser mais que rancor
E depois de tudo, venha a mim.
Pois eu só quero um pedaço
Não lhe causar cansaço.

Igreja

Não sei quem te criou
Mas foi o mundo (que) quis
Aqui Deus te colocou
Mas sou eu que te fará feliz

Sei que oras por muita coisa
Eu só prezo pelo futuro
No qual não haja sózia
Pois o posto é teu, juro

A bíblia é composta de nossas conversas
Tradição oral como os antigos
Insinuações e diretrizes perversas

Acho que heresia (essa) heresia me recuso cometer.

Uma história com 4 inícios (e finais) – o que mudou de 2015 pra cá

Uma história com 4 inícios (e finais) – o que mudou de 2015 pra cá

Existem milhares de maneiras de dizer a mesma frase. Modificar a ordem de certos termos numa frase, usar sinônimos, adicionar e/ou remover palavras (dentre muitos outros instrumentos da Língua) são ferramentas que te permitem expressar ideias iguais de maneira diferente. Expandindo um pouco o uso das mesmas ferramentas, dá-se por exemplo a passagem de duas mensagens com frases parecidas. Ou mensagens completamente diferentes com expressões diferentes. Enfim, o meu ponto é que o Português, por si só, já é extremamente versátil e comporta muitas formas de comunicação.

Imagine misturar essa versatilidade à arte. A imensidão de sentidos e maneiras gera um vão para olharmos e compararmos como se diz e porquê.

Por isso que hoje, quero falar de sobre uma imagem poderosa. Eu não sei exatamente o porquê ela é tão forte, por quê causa um certo desconforto inconscientemente. A imagem aparece em 5 vídeos do Rap nacional- ‘O Que Separa os Homens dos Meninos’, Sant; ‘Crime Bárbaro’, Rincon Sapiência; ‘CORRA’, Djonga; ‘Bluesman’, Baco Exu do Blues; ‘Deus do Furdúncio’, BK- de maneira similar: a imagem de um homem, negro, correndo.

Ainda tem bastante coisa (clique para continuar)

O que aprendi na escola

Regra número 1: Se você quer entender pessoas, primeiro, entenda plantas.

Ninguém entende a complexidade humana se, primeiro, não entender um jardim.

Antes de entender que, para cada espécie há um adubo, uma quantia de água, um tempo de sol, as pessoas provavelmente vão fazer o mesmo, e dar a todo mundo a mesma quantidade de carinho, atenção, sarcasmo e todos os tratamentos possíveis.

Primeiro veja o jardim, depois, a multidão.

(Nota- por mais que não pareça, o senso comum também não ajuda, o deserto também é cheio de vida e o cacto dá flores lindas. Dar-se tempo para ver crescer é uma escolha sábia, quanto mais plantas se cultivar, melhor.)

 

Regra número 2: Impulso e quantidade de movimento, por mais que se pareçam, não são a mesma coisa.

Ambos têm a ver com força, mas não se engane achando que basta um ou o outro.

Sem impulso, não se tem nada- e as melhores histórias começam desse jeito. Mas ele, somente, não faz com que uma trajetória se mantenha por muito tempo.

A quantidade de movimento é necessária pra manter um caminho longo. Agentes externos são bem-vindos pra empurrar.

 

Regra número 3: A história se repete.

Por mais que tente-se fugir disso, acabamos caindo na mesma muitas vezes. Não é motivo para desistir, muito menos desacreditar. Tudo tem começo, meio e final. Se um bom começo se repete, é sinal que dá pra melhorar. Se o meio vira rotina, pode ser que vá acabar. Se o final não for diferente, já se sabe o que esperar…

Não querendo tirar a individualidade de ninguém, mas o ser humano tende a ser médio nas coisas, então, a repetitividade é inescapável. Por isso, saia do comum- a história, sem dúvida, é feita pelo povo, mas o destaque vai para os Grandes. Seja Joana D’Arc, Napoleão, Mary Curie ou um Graco: diferente do resto.

São esses que serão lembrados.

 

Regra número 4: No papel, qualquer coisa reage. Na prática, não é bem assim.

A teoria menos elaborada na química é só unir elementos em reações- depois, acabamos vendo que não são todas que saem como esperado, por comportamentos facilmente explicáveis.

Por exemplo, a reação entre o Frâncio e o Flúor é totalmente cabível no papel.

Na prática, o Fr não necessariamente será encontrado (afinal, é um elemento sintetizado, em sua maioria) e nada estável. O Fl acaba sendo extremamente reativo com tudo, mas só pode reagir com o que está ali.

Com gente, é igual. Por mais que saibamos que certas misturas não funcionam, ignoramos e fazemos de qualquer maneira, para, depois, analisar e chegar na conclusão óbvia- nunca daria certo.

 

Regra número 5: poesia não é pra qualquer um.

Chega-se à adolescência (ou até na vida adulta) achando que poema é coisa de apaixonado ou careta. Não se está totalmente errado, mas quando damos de cara com alguns poetas, vemos que é mais complicado que isso.

Não é pra qualquer um olhar pros olhos de alguém e ver como é artística a Íris. Ver como curvas em geral são letras e admirar a obra como um todo.

Regra número 6: somos parte da história de onde passamos.

A Terra é muito antiga. O universo muito mais. Enquanto tratarmos a vida como se fossemos os protagonistas da realidade, iremos cada vez mais ser jogados pro canto do palco.

A felicidade começa na realização de que somos coadjuvantes- e tudo bem. Continua no reconhecimento do absurdo que é ser uma pequena parte de algo tão maior. Algo que nem vida tem, mas um passado impressionante- e tudo bem. Além de saber ser secundário, é importante ver que fazemos marcas nos lugares e nas pessoas.

Você é um em sete bilhões de humanos no mundo, mas um em algumas centenas (quem sabe milhares) de pessoas na vida de alguém. Use isso pra fazer uma marca boa nas pessoas tanto quanto no mundo.

 

Regra número 7: mesmo sendo fruto do tempo, é necessário ser contra ele.

É aquela velha história: adolescentes se rebelam contra os pais. Estes, por sua vez, haviam se rebelado contra os avós. E isso segue infinitamente.

Isso porque, já que somos crias de uma realidade (a dita “superestrutura” de Marx), devemos contestá-la. Olhar para ela como se olha um camarão pedido no bar da esquina- você sabe que talvez ali esteja um ótimo prato, mas não quer a dor de estômago depois.

Claro que, com o passar dos anos, todo mundo fica menos ácido, revoltado. Não significa se acomodar, mas sim abster de colocar tanta energia em uma luta protagonizada por alguém mais novo. Você vive no mundo para mudá-lo.

 

Regra número 8: o complexo existe, mesmo não sendo visível.

Em determinado ponto, se aprende a raiz quadrada de números negativos, e a chamada “unidade imaginária” confunde todos os tipos de alunos. Por isso, os professores insistem em falar que os números “imaginários”, são verdadeiros.

É simples, na verdade.

Os números racionais são coisas da vida mais tangíveis. O celular, a caneta, o livro, uma árvore. Os irracionais entram no mistério aparente- o vento, o calor. Coisas explicáveis e sentidas, mas com uma influência externa, consequências externas e inclusive visíveis em alguns casos.

Os números “imaginários” são os sentimentos. Não se toca, não se vê e a única com a qual se há contato são as consequências.

Mesmo sem ver, tocar e sentir o sentimento (do outro, por exemplo) se sabe dele e deve-se reconhecer sua existência.

 

Regra número 9: só sei que nada sei.

Mesmo tendo conhecimento interpessoal, intrapessoal, acadêmico e psicanalítico, gente não é algo muito lógico. A consciência de que toda certeza pode cair nas circunstâncias certas faz parte da sabedoria.

A regra número 9 se sobrepõe à todas as outras por ser infalível (negando até a si mesma).

Uma pena

Se não bater as asas, o pássaro cai.

Se bater fraco, ele se mantém.

Se bater forte, ele vai subir.

O pássaro, em momento nenhum, sai do nível que quer. Isso faz parte da liberdade do pássaro; ele sempre sabe quão alto ele quer estar, qual caminho ele deve seguir. Quase nunca você vai ver pássaros se batendo no céu, afinal, as nuvens não ocupam espaço, logo, não há porque brigar por este.

Mesmo assim, pássaros não voam todos no mesmo nível. Uns voam mais baixo, uns mais alto- outros, nem voam- e são felizes assim.

Eu queria a liberdade dos pássaros.

A tua imagem

Você é uma daquelas pessoas que eu sempre olhei de longe, ficava pensando como a gente daria certo. Daquelas de olhar foto e ver que a cor dos nossos olhos se balanceia e que seríamos fotogênicos.

Na verdade, quando via seu feed, percebia como eu podia ser bom pra você; tanto ali, no social, quanto no pessoal. Temos os mesmos interesses mas não temos nada em comum.

Eu sempre vi você e pensei como eu seria um bom namorado, melhor do que qualquer um seu até agora. Eu ia dormir na sua casa e te levar café na cama. Mesmo que todos fizessem isso, o meu é diferente. Eu desenho um coração, suas iniciais, um passarinho defeituoso na crema no expresso. Eu faço expresso. Eu pegaria textos e decoraria pra você.

Eu sempre achei que daríamos certo, mas nunca acertei se dá pra eu ser feliz.

Hospita-lar

Te quero ao meu lado porque tu tiras uma dor enorme do meu peito. É como um soro injetado na minha corrente sanguínea, removendo o mal estar.

Minha dúvida é se és morfina ou remédio. Tiras neutralizando ou atacando a causa? És tu, bem-amada, um paliativo ou cura?

Ainda não descobri, mas quero-te desde o acordar ao adormecer. Em ambos casos, me fazes bem.