Feed my soul

Pensando bem…
Foi só sendo cético
Que vi que ninguém
Tem beleza eclética

É cada um por si.

-R.C.

Dos momentos e momentâneos

Da minha vida sou eterno passageiro
Sem ter pontos finais
Um vai-vem nas pessoas,
Viajando por entre almas.

Nunca chegando cedo
Mas sim tarde demais
Outras vem cedo
As demais, muito tarde
Vou embora sempre.

Não tenho casa,
Não tenho a mim,
Só tenho a esperança
De que vou ter um fim.

(Mas nem minha morte viverei-
Ela não me pertence,)

-R.C.

Ficou louco

Tanto tempo em silêncio
Estou com medo da minha voz
Após anos a sós
Tenho medo de mim.
Hoje acordei assim
Apavorado para sair de casa
Sem ter desenvolvido asas
Como passarinho, me arremessam
Com ou sem espinhos não me interessam
O sol faz comigo
O que com as pedras faz
Sou nem inanimado ou antigo
Mas meu corpo aqui jaz
Sem mente,
Morro rápido
Somente
Corro, sólido
De mim. De tudo.
Sempre tem algo lá
Onde estou, o medo está
Pavor tenho, isso não mudará
Meu desempenho cai afinal
Me rendo à vida que vivi tão mal.

-R.C.

Mundo bom

Gritar felicidade
É um bom jeito
De livrar-se do peito

Peso tirado com facilidade
Aquele não demonstrado
Só escondido

Em meio aos sorrisos expressos
Uma mágoa ristretta
À atenção restrita

Seguindo meus passos
Entenderiam tão fácil,
Mas como se não sou dócil?

Olheiras como rojões
Não uso maquiagem
Desleixo como mensagem

Nada dá questões
Talvez porque o que importa
É que sorrindo o mundo me suporta
E ninguém suporta chorões.

-R.C.

Neruda que disse

Meu amor é reflexo
Do seu
Ou só mero reflexo
Ao seu?

Reflito sobre tal
Virtualidade ou realidade
Quem sabe sou inteiro
Talvez só metade

Mas amor de metade não existe
Sou teu por inteiro
Ou fico solteiro
Meu amor reflete

Olho no espelho
Mas não me completo
Sal do velho Restelo
Num relacionamento complexo

-R.C.

Tempo pra nada

Calma,
O tempo é seu amigo
Mas amigos traírem é um perigo
Possível e plausível de karma

O tempo vai deixar como está
Mas exponenciado
Se bom, melhorado
Se ruim, só vai piorar

Use seu tempo direito
É um direito seu gastá-lo
Mas gastando certo
De certo irá aproveitá-lo

Você só vai perder tempo
Não importa o que fizer
A tarde fechou o tempo
Agora nada pode fazer.

-R.C.

Exageros

Venta muito na sacada
E a fechei com vidros
Quando ficas em mim vidrada
Sinto que os olhos dão tiros

Por isso ando de cabeça baixa
Para não ter que fechar de verdade
Meu rosto da realidade

As plantas estavam grandes
E as tirei do sol
Cansado de escalar os Andes
Dei dois tiros de franol

Quando no tipo grito ao mundo
O que só a ti queria ter dito
Teu amor é muito, não consigo.

-R.C.