O problema com os velhos

Não culpe os velhos
Eles só esqueceram
Que o mundo vai além
Desse utilitarismo proposital
De ordem e progresso
O positivo é letal
Pros que podem, avanço
Pros que morrem, regresso
Os velhos se esqueceram
Que o mundo se sente,
Antes de se ter.

A alma do Rap – um paralelo entre Negra Li e Baco Exu do Blues

A alma do Rap – um paralelo entre Negra Li e Baco Exu do Blues

Bluesman é um álbum fino. A mistura feita por Baco Exu do Blues e cia. de elementos audiovisuais fez dele mais que um CD, mas uma obra de arte complexa que provavelmente não terá a atenção merecida quando comparado ao empreendimento anterior, Esú.

Curiosamente (talvez coincidência, talvez um raciocínio comum entre os artistas e produtores) outro álbum foi lançado no mesmo dia (23 de Novembro de 2018): Raízes, da Negra Li. Este nome, por si só, já desperta muito dentro do universo da música brasileira (principalmente o rap). A integrante do RZO, com 4 discos nas ruas agora, presente nos feats pela voz potente e rimas maravilhosas, é um nome de responsa. O álbum trás uma vibe anos 2000 e multi-cultural, explorando o rap, samba, e muito mais.

Ambos trabalhos, dentro de si mesmos, já mereceriam análises e textos. Tenho plena confiança que é possível fazer TCC’s desses trampos lindos e contemporâneos.

Não é o caso.

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Branco

A minha vida é uma gritaria de acontecimentos
Mas é o teu silêncio que me ocupa
É um monte de fonemas,
Palavras sem ordens exatas
E a tua reticiencia me enlouquece

Você é a pausa numa f(r)ase incompleta.

Nós perdemos

Nós perdemos.

Não falo simplesmente da esquerda partidária, que sucessivamente tem sido “surpreendida” nas urnas, mas sim de nós, humanistas. Não deveria ser considerado ‘de esquerda’ apoiar direitos humanos, mas, neste momento, é. O feminismo não deveria ser ‘de esquerda’; mas é. Lutas raciais, antifascismo e muitos outros movimentos deveriam ser mais sobre igualdade, mas não. E por isso que perdemos.

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Eufemismo

O sentimento tem maior dimensão
Ou só ria ou só chore
Sem sorriso, o caixão.

Amar é viver em hipérbole.

Artes

Arte é um meio
De liberar energia vital
Quer esteja o copo cheio
Ou já no final

E não importa que máscara
Colocar nessa energia
É como chácra
Lá noite ou dia

Assume forma
De pintura
poema
Escultura

É quase desabafo
De bons e ruins
Sejam poucas e boas
Muitas sem fins

A arte
É trabalho
E o trabalho
Enobrece.

Armas não combinam com livros

Instinto
É distinto
De distintivo

A farda
Só é fardo
Deixa fadado

Nem fada
Confabula
É fábula.

A bula
Fica bolada
E burlada

A lei
Quer leitura
Ah lei dura

Só dura
Se durante
For de diamante

Só segue a diante
Quem lê antes
Que interessante

Interesse
Em internar
Faz exterminar

O externo
É eterno
Pros ermos

Todo ermo
Tem seu termo
Seu instinto

Sem distintivo
Com instando
Se distingue

Distinguido
E diferente
Pouca gente.