Décimo sexto dia

Hoje, novamente
Comemoro num cemitério
Mesmo tendo sangue quente
Não o levo a sério

Pela segunda vez
Canto a cantiga
No amado português
Não uma menos amiga

Não quero que seja
Antiga tradição
Mas o destino me cheira
À dura traição

Destinado a viver fora.
Fora de mim,
Fora do agora
Fora do grupo, continuo assim

Sem pertencer
Só morte
Não consigo manter
Minha sorte

Lápide detalhista
Poético epitáfio
Se minha morte fosse mal-quista
Contra ela haveriam mil

Mas não, só eu
Num caixão moderno
De quem viaja ou morreu
Ocasião para terno.

Minha sorte não existe
Nem o destino
Nem Deus que hesite
Para socorrer este meino

Nasci na família errada,
No dia errado,
Na idade errada,
E comemoro errado

Celebro a série de falhas
Acidentais até aqui
De novo no sétimo dia
Anterior ao sétimo dia.

-R.C.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s