Desespero

Não tenho tempo
Nunca o tive, nunca o terei
Pressa inútil, te direi
Pois deste caminho não sou rei

Não funciona comigo
Do mesmo jeito que com os outros
A escola é o menor mal
O seu conjunto aterroriza

Presente inútil
Preocupações bobas
Futilidades inteiras

Quero a realidade
Não aguento mais cópias
Quero sair dessa imitação.

-R.C.

Karma

Não existe gente boa
Todos tem defeitos
Fazem crueldades

O destino não existe
E o acaso te coloca nas piores situações
Não tem o que fazer
Se não algo “ruim”

Se ele existe
E o karma sua consequência,
Todos morremos eventualmente
Sinal que algum momento
Fizemos algo digno de morte

O ser humano é um lixo.

-R.C.

Provinciano

Hoje puseste a escova junto à minha
Ontem fomos procurar casa.
Amanhã não sei como será,
Sei que você aí estará
Como é bom aos poucos
Amar como no tempo de loucos.

Eu lírico

Arrisco me chamar de poeta clássico
Não pela forma
Mas pelo meu formato

Respiro poesia, transpiro lirismo
Todo papel é caderno
Todo instrumento é grafite
Todo momento é verso,
Portanto, vivo submerso.
Épocas são estrofes
E minha vida um poema.

Lugares impossíveis

Procuro amor em todo lugar
Mas sempre que amo não sou
E sempre que sou não amo
E me prendo a maus amores facilmente

E não vejo lugar errado pra procurar
Só um que nunca acharei e nem acho
E é dentro de mim
Ali nem tento

Sei que não há interesse
Sequer amor
Sequer reciprocidade

Então não tento
E continuo nos maus-amores
Ou no não-amar.

-R.C.

Pseudário do crescimento

Como posso ser menino
Se até ontem havia barba em meu rosto?
Não que tenha sido repentino
Sem ela é mais difícil dar desgosto
O rosto fica pelado
A pele, os erros, deixa de lado.

O garoto joga,
Ele brinca com a vida
Tenta até ter gana
Mas a verdade é indevida

Esforça para o gol
Volta e toma dois
Não culpa dele que depois
Seu time não mais jogou

O grupo de trabalho
Saiu uma merda
Ficou colcha de retalhos

O garoto joga, sem medo da morte
Tantos amores sem nenhuma herda
Até que mesmo prevenindo, pediu que aborte.

Como posso não ser menino
Se não aprendi a lidar com tudo?
A idade bateu um sino
Com o qual me tiraram o escudo
Agora só me colocaram pra viver
Sem a mínima idéia do que fazer.

-R.C.

Meta

Falo do amor
Amor por compor
Sem dor de me expôr
Meu mundo impor
Pra quem ler supor
Que entende a dor
Que sente meu amor
Como passassem um sensor
Para ver meu suor
Se não verem, depor
E no clímax de tanto calor
Não vêem o real teor
Dos textos. O maior temor
É não expressar tal amor:
O texto rimador.